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Sonhos, parte dois: quando sonhar vira vontade de viver

Alguns sonhos não são grandes feitos — são sinais de que a vida quer continuar.

Quando aprendi a sonhar acordada.

Depois que aprendi a sonhar, percebi uma coisa importante:
os sonhos mudam de forma.
Nem todos são grandiosos, nem todos cabem em listas ambiciosas.
Alguns sonhos parecem pequenos — mas são profundamente vivos.

Hoje, por exemplo, eu sonho em ter um cachorro chamado Galera.
Ou talvez um gato.
E esse sonho, que pode parecer simples, só se tornou possível porque outros sonhos vieram antes.
O casamento, por exemplo.
Durante muito tempo, foi um sonho conturbado, distante, cheio de dúvidas.
Depois, aos poucos, foi ficando possível.
Hoje, é realidade.
E foi a partir dele que outros desejos começaram a nascer — como o de construir uma casa com vida, com bicho, com rotina, com afeto.

Também existe um sonho que me acompanha desde muito cedo: ser professora.
Não no sentido do título.
Não apenas “ser” professora.
Mas ensinar.
Ensinar porque eu sei.
Porque eu gosto.
Porque compartilhar conhecimento faz sentido pra mim.
Porque eu vejo que aquilo que sei pode ajudar outras pessoas a pensarem, entenderem, crescerem.
Hoje, consigo falar desse sonho com mais tranquilidade.
Antes, ele parecia impossível.
Agora, ele é um horizonte real.

Mas meus sonhos não param aí.
Eu também sonho com coisas banais — e isso é bonito.
Sonho em fazer aulas, aprender algo novo, ter hobbies.
Sonho em conversar sobre filmes, falar de coisas simples, rir do cotidiano.
Sonho com tardes tranquilas.
E o mais curioso: alguns desses sonhos já podem acontecer agora.
Talvez seja isso que muda quando amadurecemos:
o sonho deixa de ser só futuro e passa a ser também presente.

Eu sonho em provar comidas totalmente diferentes, sabores que nunca experimentei.
Sonho com o espanto de dizer:
“Nossa, que coisa nova.”
E sentir que ainda há mundo pra ser descoberto.

Também sonho em gerar vida.
E aqui não falo com ingenuidade.
Apesar de muita gente tratar isso como algo simples, não é.
Nem sempre está sob nosso controle.
Existem limites biológicos, caminhos possíveis e impossíveis, escolhas e destinos que não obedecem à matemática.
Mesmo assim, é um sonho.
Imagino uma casa bagunçada, brinquedos espalhados.
Imagino irritação, cansaço — e, ainda assim, felicidade.
Porque ali haveria vida brincando.
Talvez eu consiga.
Talvez não.
Mas sonhar com isso também é uma forma de se abrir para o que pode vir.

Hoje, entendo que sonhar é vontade de viver.
É desejar movimento.
É querer continuar experimentando a vida em suas formas mais simples e mais complexas.
Por isso, desejo uma coisa pra mim:
que eu não perca a vontade de sonhar.
Que eu continue sonhando todos os dias —
com coisas grandes, pequenas, possíveis, improváveis.
Porque sonho não é fuga.
O sonho é viver em estado de criação.