Nem todo tempo livre precisa ser produtivo. Às vezes, ele só precisa ser livre mesmo.
Sou uma workaholic em recuperação e, honestamente, ainda tropeço nisso de vez em quando. Mas, há pouco mais de um ano, comecei a experimentar hobbies: yoga, dança, caça-palavras, pintura, palavras cruzadas, leitura — sem ser científica ou acadêmica. Aos poucos, fui resgatando aqueles passatempos que me faziam bem na infância e adolescência, e alguns eu ainda pratico até hoje.
Recentemente, me aventurei no quebra-cabeça. Tem sido uma descoberta gostosa e leve, um momento só meu, sem pressão por resultados ou perfeição.
Confesso que falo isso com um certo constrangimento, porque parar exige esforço. Mas quando consigo, me entrego de verdade ao momento.
Outro dia, chegaram para mim dicas de como pintar "do jeito certo" e pensei: até os hobbies caíram na armadilha da alta performance! Tudo virou tendência, objetivo, resultado.
E eu não quero isso. Técnica e obrigação só no trabalho.
Quero deixar a mente leve.
Quero fazer por fazer, por prazer.
Quero pintar o que eu quiser, da cor que eu quiser, mesmo que não faça sentido. Quero o direito de não saber, de não ser ótima, de não entregar nada.
Quero que o tempo livre seja só isso: livre. Que ele me lembre que viver também é brincar. Que pequenas pausas, sem pressão, podem nutrir a nossa saúde emocional e trazer mais leveza para o dia a dia.