Depois que a gente aprende a sonhar e entende que muitos sonhos viram vontade de viver, vem uma parte inevitável do caminho: as decisões.
E, com elas, os sonhos que não se realizam do jeito que foram idealizados. Os sonhos frustrados. Os sonhos que pedem ajustes. Os sonhos que fazem a gente recalcular a rota.
E isso não os torna menores. Um sonho realizado não é, necessariamente, um sonho perfeito.
Um exemplo importante pra mim foi a natação. Era um sonho antigo. Daqueles que acompanham a gente por anos. Quando finalmente comecei as aulas, confesso que me frustrei. Eu esperava mais atenção, mais cuidado, mais direcionamento. Esperava aprender de outra forma.
E isso não aconteceu. Não sei se foi o método, o professor, o formato — ou se, naquele momento, eu precisava de outro tipo de acompanhamento para aprender. O fato é que não foi como eu imaginei. Talvez eu tivesse imaginado que, com isso, eu sairia nadando super bem. Não foi assim. Frustrou.
Mas foi vivido. E isso é importante de dizer: o sonho não morreu ali. Eu realizei o sonho de fazer as aulas. Entrei na água. Tentei.
Hoje eu entendo que aquela foi uma forma possível — não a única. A natação continua sendo um sonho. Talvez com outro método, outro ritmo, outro cuidado. Talvez em outro tempo.
Sonhos também são isso: tentar, se frustrar, ajustar e tentar de novo. De novo. E de novo. Porque sonho é vida. E a vida não se vive em tentativa única.
Isso também aconteceu com ambientes de trabalho. Vivi experiências que eram sonhos — queria estar ali, aprender, fazer parte. E, em algum momento, aquilo se tornou pesado, tóxico, difícil. Me adoeceu. Mas também foi real. Eu vi como as coisas funcionavam. Eu participei. Eu aprendi. O sonho não terminou do jeito que eu imaginei, mas ele aconteceu.
O mesmo vale para o sonho de ter um cachorro. Passei boa parte da adolescência e da vida adulta desejando isso. Quando aconteceu… foi um choque de realidade. É muito mais responsabilidade do que fofura. Muito mais cuidado do que eu imaginava. Muito mais atenção diária.
Ter um cachorro é ser responsável por uma vida. É observar se está bem, se está comendo, se precisa de cuidado, de vacina, de remédio. É se preocupar. E, ainda assim, é amor. Essa coisinha peluda e fofa está aqui agora, enquanto escrevo. Me dá trabalho. Me dá preocupação. E me dá um amor enorme.
Talvez seja isso que a gente precise aceitar: sonhos não são abstratos.
Eles estão perto. E, por serem perto, frustram. Não dá pra viver sonhando e exigir que tudo seja leve, bonito e ideal. A vida é difícil. E os sonhos, quando viram realidade, também são. Mas isso não invalida nada. Pelo contrário.
É no contato com a realidade que o sonho deixa de ser fantasia e vira presente. Com todos os desafios. Com todas as responsabilidades. Com todas as alegrias possíveis.
Sonhar não é fugir da vida. Sonhar é ter coragem de viver — mesmo quando a vida pede ajustes no caminho.