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Justificar coisas que ninguém perguntou

Quando o medo do julgamento faz a gente explicar demais o que ninguém pediu.

Erros que cometi

Durante muito tempo eu tinha um hábito curioso: eu justificava coisas que ninguém tinha perguntado.

Alguém fazia uma pergunta simples, às vezes uma pergunta de sim ou não, e eu começava a explicar tudo. Explicava o motivo, o contexto, a história inteira, como se precisasse provar que minha escolha fazia sentido. Mas muitas vezes a pessoa nem tinha perguntado tudo aquilo. Era só uma pergunta simples.

Com o tempo eu fui percebendo que isso vinha de um lugar de nervosismo. Eu tinha medo de parecer errada, de ser julgada ou mal interpretada. Então, antes mesmo que alguém questionasse qualquer coisa, eu já começava a me defender.

E, no meio disso, eu acabava expondo coisas que nem precisava expor. Falava de coisas íntimas, pessoais, detalhes que a pessoa nem precisava saber. Isso só me deixava mais vulnerável e mais desconfortável.

Foi então que comecei a prestar atenção em algo muito simples: o que exatamente a pessoa perguntou?

Se alguém perguntava: “Você vai para tal lugar?”, a resposta podia ser apenas: “Sim.” Ou: “Não.”

Se a pessoa não perguntou “por quê”, eu não precisava explicar o porquê. Comecei a me ancorar nisso: responder exatamente o que foi perguntado. Sem criar justificativas desnecessárias.

Hoje vejo o quanto isso mudou minha forma de conversar e de me posicionar. Nem toda pergunta exige uma defesa. Às vezes, uma resposta simples já é suficiente.