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As fatias da minha pizza

Entre a autocrítica e o autocuidado, aprendi que investir em mim também faz parte do caminho.

pessoa segurando pizza

Tenho uma autocrítica enorme em relação à minha profissão. Ela me acompanha como uma sombra e, por vezes, dita o tom das minhas escolhas. Durante anos, investi tudo de mim na Psicologia.

Na época da faculdade, o investimento era em tempo e esforço: trabalhei para pagar meus estudos, abri mão do lazer, me enfiei em todo congresso e palestra possível. Saí da graduação acreditando que precisava cumprir a “tríade da psicóloga clínica”: terapia , supervisão e consultório presencial. Acontece que tudo isso custa caro, e, como muitos recém-formados, eu tinha só o diploma na mão e pouco mais.

Morava sozinha, recém-formada, e a cobrança interna não me dava descanso. Então investi em cursos, especializações (das quais me orgulho muito), conexões. Mas, nesse processo, acabei negligenciando o básico da sobrevivência. A voz da autocrítica seguia gritando: “ainda não é suficiente”.

A lista é longa: palestras gratuitas, trabalhos voluntários, móveis, decoração, identidade visual, fotografias profissionais, contador, leituras infinitas, supervisões, intervisões. Fiz de tudo — e mesmo assim sentia que não bastava.

Hoje, com mais clareza, percebo que estava sendo suficiente sim. Eu estava dando o meu melhor. Só que eu acreditava que a vida precisava ser uma pizza inteira de trabalho. E não é justo que todas as fatias tenham o mesmo sabor. Quero também a fatia doce do lazer, a salgada das noites de jogos com amigos, e aquela equilibrada, meio a meio, que mistura responsabilidades e prazer.

Os resultados não poderiam ser imediatos, mas a minha crítica interna não aceitava isso. Até que, três anos depois, reconheço: eu já vivo o que tanto sonhei — e antes do que esperava. Não sou milionária, mas tenho uma agenda saudável, espaço para outras fatias da vida, e quando a pizza precisa ser inteira de psicologia, eu recalculo a rota depois.

Aprendi a me acolher mais. Tenho feito terapia, acompanhamento para a ansiedade, e isso tem me ajudado a ser uma chefe menos rígida de mim mesma. Minha “EUquipe” funciona melhor quando sou uma gestora saudável, porque tudo depende da minha saúde para acontecer.

Investimento continua sendo parte da jornada. Mas hoje aprendi que investir em mim também é essencial.