A dor silenciosa — aquela que cabe apenas ao silêncio e ao nada a se fazer — às vezes chega de forma estranha. Um sentimento diferente, quase sem nome. O que cabe a ela? Que espaço ela tem, se o tempo não para para que eu possa senti-la?
Recentemente, vivi um momento de grande introspecção. E uso esse nome porque, para quem me conhece, meu destaque sempre foi ser extrovertida. Mas naquele dia, uma quarta-feira comum, cheia de compromissos, eu não queria trabalhar. Não queria cuidar da casa. Queria apenas sentar e assistir aquele momento.
Aquele desânimo me parecia curioso — e, de certa forma, bonito. Eu queria senti-lo por horas, adiar todas as tarefas e simplesmente não pensar em nada. Normalmente, quando isso acontece, as pessoas tentam reprimir o sentimento, quase como se fosse errado se permitir parar. Mas, dessa vez, eu quis o contrário: quis sentir, realmente sentir, apreciar aquela emoção com a densidade que ela pedia, mesmo desconfortável.
O mundo, claro, não parou para a minha dor — como não para para ninguém. O tempo continuava correndo, como se eu estivesse sentada assistindo a um filme passar na tela da vida. As cenas, os comerciais, tudo seguia… e eu ali, em silêncio, apenas absorvendo a minha dor, deixando o mundo ser o pano de fundo.
A flexibilidade do meu trabalho me permitiu parar por umas quatro horas naquele dia. Quatro horas de silêncio, sem dar um “a”, sem interagir com ninguém. E, nesse tempo, pensei: sim, era um desânimo, uma angústia. Mas era minha, e eu a sentia de forma madura, quase contemplativa. Cada pessoa sente à sua maneira e, naquele dia, eu vivi a minha forma de sentir.
No fundo, eu queria que o tempo tivesse parado, só um pouco. Mas parecia haver um ajudante de palco desfilando com uma placa: “Você tem x horas, y minutos e tantos segundos para sair disso.” E foi assim que vivi aquela quarta-feira de setembro de 2025 — entre o querer parar e o saber que o tempo não para.